
Eu tenho o que pode ser traduzido como “Dislexia Ordinal”.
Apesar do absurdo, que isso possa parecer, não possuo a capacidade de simplesmente contar.
Eu decorei a ordem dos números como você decorou as letras do alfabeto quando era pequeno e isso me impede de fazer contas com a mesma velocidade que outras pessoas.
Por isso estudar matemática e física sempre foi um desafio para mim. Eu lia as questões, entedia o enunciado, interpretava o problema, estruturava a resposta, montava a equação mas, quando chegava a hora de juntar tudo e calcular a resposta: Travava.
Os números mudavam de posição, insistiam em não somar, subtrair, multiplicar, a cabeça pesava, me irritava comigo mesmo e acabava também culpava a mim mesmo pela situação. Foram anos e anos passando por isso e somente 2 professores conseguiram perceber que havia algo de errado mas também não tinham a preparação necessária para me ajudar.
Essa situação, porém, me deu uma capacidade lógica-analítica excelente. Eu vejo um problema, entendo-o, interpreto-o, monto toda a estrutura para a sua solução e explico a quem precisar o que deve ou não fazer e onde conseguir ferramentas para soluciona-lo. Nisso, sem falsa modéstia eu sou bom. E muito bom até.
Apesar dos termos provocarem um certo receio, consigo ser frio, calculista e ter nervos de aço. Principalmente quando não estou envolvido na questão.
Mas eu sou eu e nicuri é coco, como se diz na Bahia.
E este texto começou como uma introdução ao vídeo que segue abaixo.
Tá em inglês, é direcionada a Obama, mas eu acho que combina muito bem conosco.
Uma resposta a quem ainda acredita que colocar o dedo no buraco fará com que a represa não se rompa, como o que hoje em dia é feito com o tal “sistema de cotas” no país.
Assitam, reflitam, compartilhem. Quem sabe um dia você não será obrigado a sentar na frente do computador – ou seja lá qual aparelho faça isso no futuro – e estudar algo que seu filho aprende no ensino básico?


