Há tempos não sinto tanto medo. Mas tanto medo mesmo. Do tipo de medo que só senti uma única vez, numa cadeira de avião, aos vinte anos de idade, indo D’us sabe para onde.
A pior parte é que este medo está só começando. Está fraco ainda mas eu posso senti-lo como sinto esta caixa preta na minha frente. Eu a abro, fecho, tiro o que está dentro, olho, experimento, coloco de volta, abro de novo, procuro compartimentos secretos, procuro saber o que ela esconde, procuro desvendar seus mistérios, procuro seus segredos, meus, seus, nossos…
…procuro respostas.
E é este o grande lance, a grande sacada desta bendita caixinha preta. O que tem dentro são respostas e, como o livro, só precisamos fazer as perguntas certas. E eu sei qual é, pelo menos uma, destas perguntas.
Só não sabia, até agora, se eu estava pronto para a resposta.
Estou abandonando meu passado por esta caixa. Deixando de lado meu legado. Uma parte do que acredito ser.
Estou abraçando a caixa com tudo o que ela vai me trazer de bom por que não me resta outra escolha a não ser esta. A não ser abrir de vez a caixa preta e entregar à quem de direito, e opção, merece dividir comigo as respostas para as perguntas que sempre tivemos.
Eu quero dividir esta caixa preta contigo. E só contigo.
Por que esta caixa preta sou eu. E quero me dividir com você.