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	<title>Blog do Roberto &#187; policial</title>
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	<description>O outro lado do ócio</description>
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		<title>Procedimento policial padrão (ou o dia em que quase fui preso)</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 23:39:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto Camara Jr.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Plena terça-feira pré-carnaval e este que vos escreve tinha acabado de terminar um serviço mostrando as maravilhas da cidade para um casal de turistas &#8211; um indiano e o outro (Sim. O outro. Fazer o que? Eu não tenho preconceitos)  bem interessados em nossa cidade. Como haviam me pedido, ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Plena terça-feira pré-carnaval e este que vos escreve tinha acabado de terminar um serviço mostrando as maravilhas da cidade para um casal de turistas &#8211; um indiano e o outro (Sim. O outro. Fazer o que? Eu não tenho preconceitos)  bem interessados em nossa cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como haviam me pedido, ao invés de terminar o tour no porto onde embarcariam de volta no baita navio em que estavam, deixei-os em um restaurante na cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, ainda precisava prestar contas com o patrão, informar como havia sido o trabalho, entregar a ficha que os turistas preenchem contando como havia desempenhado minha função de Guia de Turismo e assim voltei ao terminal de passageiros no Porto de Salvador.</p>
<p style="text-align: justify;">Entro, converso, papo-vai-papo-vem enquanto aproveitava para curtir o ar-condicionado depois de passar horas descendo e subindo as ladeiras do Pelourinho. O chefe me pede para continuarmos a conversa do lado fora já que precisava aguardar os outros ônibus que deveriam chegar por volta daquele horário. Deviam ser umas 2 e pouco da tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">Ficamos na porta de entrada &#8211; eu estrategicamente posicionado de forma que pudesse aproveitar os resquícios de tão desejado ar condicionado quando percebo uma certa muvuca no noutro lado da rua.</p>
<p style="text-align: justify;">Um baita de um afro-descendentezão estava sendo algemado enquanto uns 3 ou 4 policiais o rodeavam. Como ainda não descobriram no mundo algo que supere uma fofoca em velocidade, menos de 1/2 segundo depois já sabia o que estava acontecendo.</p>
<p style="text-align: justify;">O sujeito, ao que indica, estava sendo preso por dirigir sem habilitação. Segundo o próprio &#8211; a esta altura nem precisávamos mais do telefone sem fio para saber o que estava  acontecendo, o próprio &#8220;meliante&#8221; já estava berrando para quem quisesse ouvir que &#8211; era um cara honesto, trabalhador que tinha esquecido a carteira de motorista em casa e não merecia ser tratado desta forma.</p>
<p style="text-align: justify;">Este tipo de coisa, pelo jeito, era motivo suficiente para um sujeito levar a 2ª bordoada  &#8211; segundo informações ele já havia levado um chute antes &#8211; de um tipo que, pelo jeito, se achava o próprio Capitão Nascimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Peraí! Há apenas algumas poucas horas atrás eu tinha acabado de abraçar e beijar uma grande amiga que também é policial e comentado com ela que pouco antes, tinha mostrado à alguns guardas municipais um sujeito que tinha me oferecido um papelote na frente dos meus clientes &#8211; o indiano era delegado em Goa, a propósito &#8211; não podia acreditar que estes &#8220;puliças&#8221; &#8211; isso mesmo. Com <em>u</em> e <em>cêcedilha</em> &#8211; estivessem batendo em um cara grande mas devidamente algemado e que não havia feito nada além de gritar os seus direitos para chamar a atenção do absurdo que já estava acontecendo na frente de literalmente centenas de turistas que desciam felizes da vida dos ônibus depois de um passeio pela cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como estava no outro lado da rua, dentro da grade de proteção do terminal marítimo, devidamente identificado com uniforme da empresa e meu crachá de Guia de Turismo expedido pelo Ministério do Turismo &#8211; Hello! Órgão federal! &#8211; devidamente pendurado no pescoço e depois de ter mencionado &#8211; talvez pudesse ajudar em algo &#8211; que ele não estava falando com um reles trabalhador honesto qualquer, mas sim com um oficial da reserva, puxei a única arma que eu tinha naquele momento,meu bom e velho celular e comecei a filmar todo o escarcéu a céu aberto.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo ia bem &#8211; para mim, não para o cara que continuava apanhando &#8211; até que o tal ante-projeto-de-zero-dois &#8211; até boina preta ele tinha &#8211; me viu, falou algo para o colega e veio em minha direção.</p>
<p style="text-align: justify;">Como estava fiquei, afinal, quem estava errado ali, com certeza não era eu.<br />
Mas chegou foi logo perguntando o que é que eu estava fazendo e quando antes mesmo que eu tivesse chances de responder ele já estava levantando a grade e entrando.</p>
<p style="text-align: justify;">Já em cima de mim, me disse que eu não podia filmar pois aquilo era um &#8220;procedimento policial padrão&#8221; e eu estava infringindo a lei. Quando rebati dizendo que estava em meu direito ele levantou a mão &#8211; sim, o cara era bem maior que eu, além de estar devidamente armado e com os companheiros dele observando o que estava acontecendo &#8211; indicando que eu seria  o próximo a receber o tal &#8220;procedimento padrão&#8221; mas quando viu que todo mundo também observava, pelo jeito, levou a mão à cartucheira e puxou um par de algemas ao mesmo tempo que me dizia que a &#8220;única solução&#8221; seria apagar o vídeo.</p>
<p style="text-align: justify;">Posso ser honesto, até ingênuo demais as vezes, mas idiota e burro são qualidades que não fazem parte do meu currículo, tenham certeza.<br />
Não pensei 2 vezes e apaguei o bendito filme na hora e mostrei ao tal puliça.</p>
<p style="text-align: justify;">Absurdo?<br />
Pois é.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas enquanto obedecia as ordens da autoridade policial, não conseguia tirar da cabeça as cenas finais do filme Ônibus 174 e o dito cujo não parava de piscar.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal já diz o ditado:<br />
Quem tem, tem medo.</p>
<p style="text-align: justify;">O &#8220;legal&#8221; da história foi depois de tudo terminado, ele ter virado de volta querendo apertar minha mão dizendo: &#8220;Você como oficial bem sabe como estas coisas são, não é? Procedimento padrão&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Padrão o caralho, deu vontade de gritar, mas o meu dito-cujo-piscador &#8211; mais uma vez ele -  me aconselhou a deixar para outro dia.</p>
<p style="text-align: justify;">O coitado que tinha apanhado?</p>
<p style="text-align: justify;">Este foi levado na mala do carro do que &#8211; ao que parecia pela quantidade de estrelas que tinha no ombro &#8211; o manda-chuva da corporação.</p>
<p style="text-align: justify;">
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